Música Independente

Mercado de Música IndependenteMercado de Música Independente

O Mercado de Música Independente no Brasil está dividido em dois segmentos bem distintos, Majors e Independentes; contudo, não existem dados quantitativos sobre o comportamento específico de cada um destes segmentos.

Segundo a ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), aproximadamente 80% da produção nacional de fonogramas está em mãos dos independentes, o que representa cerca de 25% do total vendido no país. Esses números refletem as operações em grande escala das Majors: um único álbum de uma grande gravadora pode vender mais de 100 mil cópias, enquanto os números das pequenas gravadoras costumam ficar muito abaixo disso. A diretoria da ABMI afirma que as Majors se especializaram no processo de produção do CD em si, ao passo que as Independentes se focaram em melhores níveis técnicos para a produção do fonograma.

Outro ponto a considerar são as indicações de que o mercado das Independentes está mais voltado para pequenos segmentos ou até nichos, sejam eles geográficos, por estilo musical ou por perfil de público. Ou seja, pequenas gravadoras tendem a se concentrar em uma determinada região do país, limitando sua distribuição, a escolher um portfólio de produtos restrito a um único gênero musical (em uma estratégia de alta especialização) ou a se focar em determinados públicos-alvo; por exemplo, uma MPE pode se dedicar a atrair exclusivamente os apreciadores música clássica. É importante frisar que, muitas vezes, essas “escolhas” são ditadas pela falta de recursos (humanos, mercadológicos, financeiros, know how etc.) para ampliar a distribuição geográfica, os estilos e/ou os públicos trabalhados.

Somados, todos esses fatos fazem com que as Independentes tenham baixo poder de negociação se comparadas a qualquer Major, inclusive no que se refere à questão da distribuição.

 Em geral, as MPEs encontram maior dificuldade para colocar seus produtos no grande varejo ou nos grandes distribuidores. Se isto será ou não um forte obstáculo à venda dos produtos da empresa é algo que varia de caso a caso; é pouco provável, por exemplo, que os apreciadores de música clássica mencionados acima tenham a expectativa de encontrar os CDs de seus tenores prediletos em uma rede popular de supermercados. O mais provável é que estejam predispostos a procurá-los em locais (físicos ou virtuais) especializados.

Por outro lado, a entrada nesse tipo de canal de vendas poderia (pelo menos, potencialmente) trazer um aumento significativo no volume de vendas de uma pequena gravadora; contudo, os altos custos de entrada cobrados pelo varejo de grande porte e o investimento necessário para iniciar uma produção em maior escala (necessária para atender às quantidades demandadas por esse tipo de canal) também impõem fortes barreiras, devidos aos limitados orçamentos das Independentes.

 Desta forma, é importante destacar a internet como um novo e interessante canal de vendas a ser estudado pelas gravadoras independentes – alternativa que será aprofundada mais adiante.

O aumento da pirataria e a crescente utilização da internet (tanto para divulgação como para venda de músicas) têm proporcionado o aumento da força das Independentes (como um todo) perante as Majors. O mercado das Majors vem caindo enquanto as Independentes vêm, no mínimo, conseguindo manter seus volumes. De 2004 para 2005 a participação destas empresas no mercado passou de 22% para 25%; segundo especialistas do setor, essa tendência continua até o momento e deverá se intensificar cada vez mais.

Outra característica do mercado que está se modificando é a participação show versus vendas no varejo, enquanto geradores de receitas. Até meados da década de 90 os shows eram tratados como locais de exposição dos novos trabalhos dos artistas e utilizados como ferramentas de marketing para alavancar as vendas no varejo. Hoje os shows constituem uma das maiores fontes de renda dos artistas; sendo assim, o artista precisa vender CDs/DVDs, ter sua música tocada nas rádios e até oferecer download gratuito de suas obras pela internet, tudo isso para conquistar o público-alvo, atraí-lo para assistir aos shows e, dessa forma, obter um bom retorno financeiro. Alguns exemplos deste cenário podem ser vistos nos sites de grandes bandas, cujas agendas contêm mais de 100 shows ao ano. O cantor Prince, faturou em 2004, apenas como resultado da turnê do álbum Musicology, um valor acima de US$ 90 milhões, o que representa mais de 47 vezes o resultado das vendas do mesmo CD.

O cenário independente também conta com diversos festivais, por meio dos quais cresce o número de bandas e artistas independentes que tem conseguido algum espaço no mercado. Não há nenhum estudo formal indicando em quais regiões este crescimento é mais destacado ou até mesmo se esta é, efetivamente, uma tendência nacional; porém, pelo levantamento realizado sobre estes festivais, é viável prever a continuidade de seu desenvolvimento, assim como o maior crescimento de artistas fora dos mercados tradicionais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Fonte: SEBRAE